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08/07 Notícias da Igreja O legado do X Encontro Mundial das Famílias para as famílias brasileiras
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O X Encontro Mundial das Famílias reuniu em Roma famílias do mundo inteiro. Mas, qual o legado deste encontro para as famílias no Brasil? Quem nos fala, é um casal de brasileiros presente no encontro.

As famílias do Brasil e do mundo inteiro acompanharam pelas redes sociais o X Encontro Mundial das Famílias. Ao todo foram 10 painéis, palestras, a Missa com a participação do Santo Padre e o Envio das famílias de diversas partes do mundo.

Na delegação brasileira estavam presentes Luiz Stolf e Kathia Stolf, atuais coordenadores nacionais da Pastoral Familiar no Brasil. O casal conversou com o Vatican News sobre o legado do X Encontro Mundial das Famílias.

Vidas dedicadas as famílias

Luiz Stolf e Kathia Stolf estão casados há trinta e nove anos, são pais de um casal de filhos e possuem quatro netos. Estão na coordenação da pastoral familiar nacional desde 2017. No Regional Sul 4 e na Diocese de Joinville, onde moram, Luiz e Katia também colaboram na evangelização de casais.

Eles participaram de grupo de Jovens, foram catequistas de crisma com adolescentes e realizaram trabalhos com famílias no movimento do encontro matrimonial mundial.  Além da coordenação nacional da pastoral familiar, trabalham na catequese de noivos na paróquia em que participam e na Diocese de Joinville fazem parte da comissão do direito à vida.

Já participaram do IX Encontro Mundial das Famílias em Dublin – Irlanda e recentemente do X Encontro Mundial das Famílias em Roma. Momentos de aprendizado e de alegria de estar com famílias do mundo inteiro refletindo a beleza e a alegria de ser família, não famílias perfeitas, mas famílias buscando a vivência da santidade no dia a dia da família

O cuidado com o mundo das telas

Na homilia do Santo Padre na Missa conclusiva do X Encontro Mundial das Famílias, ele diz: “Todos vós, esposos, ao formar a vossa família, com a graça de Cristo fizestes esta corajosa opção: não usar a liberdade para proveito próprio, mas para amar as pessoas que Deus colocou junto de vós. Em vez de viver como «ilhas», fizestes-vos «servos uns dos outros». Assim se vive a liberdade em família!”

O mundo das telas (celular, computador, TVs e etc) está muito presente na atual sociedade, fazendo com que as famílias vivam este mundo de “ilhas” que diz o Papa. Sobre superar esses isolamentos o casal enfatiza que: “A um tempo atrás o Papa Francisco nos dizia que as mídias sociais são boas, evidentemente que ele se referia sobre as redes dessa forma quando são bem utilizados, ou seja, quando utilizamos para a boa informação, evangelização, para nos aproximar uns dos outros, edificar e dinamizar o bem.

O segredo é exatamente este, não utilizar a liberdade das redes para o bem de si próprio. Quando utilizamos as redes para o bem próprio vivemos o isolamento e perdemos a oportunidade de estar com o outro. No isolamento não sentimos e nem oferecemos o calor humano, afeto, abraço e o olhar uns para os outros. Caímos no risco do esfriamento das relações e assim vamos nos acostumando ao ponto de tornarmos dependentes das mídias.

Dizer aos jovens que eles não podem utilizar o aparelho celular, com certeza irá provocar um sentimento de estarem deficientes ou mutilados, pois é como se o aparelho fosse uma extensão de seu corpo. Para evitar o isolamento é necessário que os pais ou os responsáveis primeiro deem o exemplo e depois com uma pedagogia própria proponham critérios para a utilização das mídias, determine horários, locais e acompanhe os conteúdos que os filhos estão acessando. Também é necessário promover momentos de encontros para o diálogo e a fraternidade da família. 

Casal Luiz Stolf e Kathia Stolf, coordenadores da Pastoral Familiar no Brasil
Casal Luiz Stolf e Kathia Stolf, coordenadores da Pastoral Familiar no Brasil

O perigo de uma cultura individualista

Na celebração do matrimônio os noivos realizam promessas de doação um ao outro. Como diz o Papa Francisco, fazem-se servos uns dos outros. Para viver essa doação total, Luiz e Kathia orientam que: “A atual sociedade tem levado os jovens a experimentar e viver uma cultura extremamente individualista de forma muito aberta e direta. Fazendo-os crer que a liberdade está exatamente em fazer tudo o que lhe dá prazer pessoal, mesmo que seja por pouco tempo. Ir contra essa cultura é o grande desafio que se impõe a nós como agentes de pastoral e a igreja como um todo.

Em primeiro lugar deve-se acompanhar e orientar as famílias para que elas possam dar bons testemunhos. Entre os pais deve-se ter a prática da doação e estes serem servos uns dos outros. Porém quando os jovens não têm essa experiência dentro de suas famílias o caminho se torna mais difícil e longo. É preciso por muitas vezes evidenciar a eles na teoria a importância e a profundidade dessa doação mútua fazendo-se servos.

O acompanhamento dos jovens para o Sacramento do Matrimônio

A partir de Amoris Laetitia a Igreja propõe a pastoral família que acompanhe os jovens para o sacramento do matrimônio. Este acompanhamento passa pelas seguintes fases: “A Pastoral Familiar atualmente propõe, a partir da Amoris Laetitia, caminhos de catequeses ou itinerários onde os jovens são acompanhados e preparados para o sacramento do matrimônio. O caminho é normalmente realizado com um outro casal da pastoral. Este casal reproduz aos jovens que estão na preparação do matrimônio as experiências pessoais e os testemunhos desta vivência na prática do servir um ao outro no dia a dia, para que os jovens percebam que é possível viver este amor doação.  

Evidentemente que essa prática do amor doação só será possível a partir da centralidade em Jesus, neste sentido sugerimos que eles possam buscar uma aproximação com a palavra de Deus e os sacramentos.

Outra caminhada através de um itinerário de acompanhamento para os casais recém-casados por um período de dois anos com encontros mensais onde são abordados temas específicos e próprios que os ajudarão a se manter firmes na construção do relacionamento.”

O acolhimento, o espírito de serviço dentro da família

Outra fala do Papa Francisco de destaque é: “A caraterística própria da família: o acolhimento, o espírito de serviço dentro da família”.

Para viver essas características os coordenadores da pastoral familiar no Brasil fazem a seguinte reflexão: “A prática do serviço dentro da família não é algo que inicia por acaso ou a partir de um dia para o outro como num passe de mágica. Essa prática normalmente é herdada a partir da família do esposo e da esposa. Vem dos nossos avós, tios, pais e primos, das pessoas com vínculos familiares, ou ainda em casos mais esporádicos a partir de outras pessoas de nosso convívio, isso que nos diz é o próprio Francisco.

Quando realizamos em nossas famílias o acolhimento e estamos a serviço, praticamos gestos que nos faz sentir bem. Este se sentir bem é uma motivação para que esses atos sejam sempre praticados. Se torna uma realidade concreta, não por interesses, mas pelo simples fato de que ao fazer o bem para o outro retorna para nós em forma de alegria, de agradecimento e principalmente pela felicidade do outro.

A família pode viver essas características no cotidiano.  Nos afazeres domésticos onde os membros das famílias podem se antecipar e colocar-se a disposição para realizar determinadas tarefas, ou ainda quando um chega o outro vai ao encontro e perguntar como foi o dia, mostrando-se interesse, o filho ao voltar da escola também ou do trabalho, sempre agir de maneira afetuosa e amorosa. É fazer com que cada um sinta parte integrante e importante dentro de sua família.

Um outro exemplo é acolher e cuidar de nossos idosos, com carinho e respeito, os filhos irão seguir estes exemplos pois o testemunho vale mais de que as palavras.”

A responsabilidade dos pais

Em outro momento Francisco se dirige especialmente aos pais: “Queridos pais, a Palavra de Deus mostra-nos o caminho: não é preservar os filhos do mínimo incómodo e sofrimento, mas procurar transmitir-lhes a paixão pela vida, acender neles o desejo de encontrar a sua vocação e abraçar a missão grande que Deus pensou para eles.”

Como os pais devem trilhar este caminho? “Os pais possuem uma responsabilidade determinante no desenvolvimento da vida dos filhos, seja no âmbito religioso, formação integral e também no discernimento da vocação. Quanto à questão da formação espiritual deve começar desde da infância e como já dizemos a partir do próprio exemplo dos pais, onde devem cultivar a prática oracional, seja em casa ou na comunidade paroquial e ir construindo no interior dos filhos esse valor.

Os filhos que são acompanhados e orientados pelos pais terão certamente mais facilidade no discernimento de sua vocação. Bons exemplos e convívio com outras pessoas maduras e seguras de sua vocação ajudam os filhos a corresponder a vocação” Afirmou o casal.

Preparar os filhos para os sofrimentos

Na visão de Luiz e Katia, o casal deve preparar os filhos para enfrentar as dificuldades da vida: “É comum ouvirmos dos pais a afirmação; – “não quero que meu filho passe por aquilo que passei,” – isto é, não quer que os filhos passem por dificuldades. A partir desta afirmação os pais acabam oferecendo aos filhos principalmente bens materiais como: brinquedos, celular, computador, carro e etc. Ao se tornar adulto este filho vai sofrer pois não foi preparado para suportar as dificuldades da vida e não terá paciência para esperar.

As dificuldades devem ser enfrentadas como desafios a serem superados, que precisa de paciência e resignação, mas devemos estar preparados e preparar os nossos filhos. Um exemplo que damos é de quando preparamos nossos filhos para o sacramento do matrimônio. Eles devem ter a consciência das adversidades que terão, porém isso é natural, faz parte da vida, pode-se dizer que faz parte da missão.”

A primeira missão do Casal

“A primeira missão do casal é fazer o outro feliz, independentemente da situação, por isso as promessas no dia do casamento na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza. Quando o casal compreende esta missão como graça de Deus passam a transmitir da beleza de estar abertos a geração da vida, assim colaborando com Deus na perpetuação da espécie humana.

Um termo muito usado entre os casais é o da fidelidade. A fidelidade transpassa o ato da traição, ser fiel ao esposo (a) é maior, pois fidelidade trata-se de estar aberto ao diálogo, a escuta, estar atento as necessidades, é ter empatia, é viver as vinte e quatro horas para o outro. Está não é uma fácil missão pois nem sempre estamos bem, pois experimentamos sentimentos bons e maus a todo instante. O perdão e a paciência são dois elementos que colaboram na fidelidade, com certeza já passamos por situações de tomarmos decisões precipitadas e por conta destas acabamos muitas vezes ferindo uns aos outro, por isso o perdão e a paciência são exercícios diários.

É importante ter equilíbrio e discernimento para bem viver essas dimensões, sempre mantendo um diálogo profundo, aberto e sincero.”

Para os dias tristes e de provações, a resposta é vida de oração

Como acompanhadores de outros casais, Luiz e Kathia dão dicas para os dias tristes e de provações: “Primeiramente ter uma profunda vida de oração, pois só através dela nos manteremos fortes e confiantes na providência divina e assim mantermos a esperança de que tudo é suportável. Deus jamais nos permitirá desafios maiores do que poderemos suportar e um lar construído sobre a rocha se manterá firme aconteça o que acontecer.

Em segundo lugar construir um relacionamento profundo na confiança mútua onde podemos nos apoiar um no outro, de tal forma que o peso do fardo possa ser dividido, tornando-se assim mais leve e suave.

As dificuldades ou desafios do casal, quando são superados por eles juntos, tornam o casal mais forte, confiante, maduro e se sentirão seguros para enfrentar novos desafios, pois quando um se entrega ao outro verdadeiramente as bênçãos e as graças de Deus serão abundantes sobre o casal e o seu lar.

 O Papa Francisco no Encontro mundial das famílias nos disse. “A vida familiar não é uma missão impossível. Com a graça do sacramento, Deus torna-a uma viagem maravilhosa que se há de fazer juntamente com Ele; nunca sozinhos”.

Marília de Paula Siqueira – Cidade do Vaticano

Imagem capa: Papa Francisco na Praça São Pedro na Missa conclusiva do Encontro Mundial das Famílias  (Vatican Media)

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