Seja bem-vindo(a) ao Site da Paróquia São Geraldo

Acesse nossas Redes Sociais

Notícias

23/02 Notícias da Igreja São José ensina sair do “eu” para o “tu” em tempos de pandemia
Compartilhar

Entrevista com o Superior dos Josefinos de Murialdo, Padre Tullio Locatelli que nos fala sobre as catequeses do Papa Francisco sobre São José que se concluíram na quarta-feira (16/02) passada: “Francisco escolheu José porque ele nos ensina a abandonar o egoísmo em tempos de pandemia”

A viagem seguindo São José foi inaugurada pelo Papa Francisco em 8 de dezembro de 2020 com a Carta Apostólica Patris corde e terminou na quarta-feira, 16 de fevereiro, com a última das doze catequeses dedicadas a ele. “Mais do que nunca, neste tempo marcado por uma crise global com diferentes componentes, São José pode ser apoio, conforto e orientação para nós”, afirmava Francisco na quarta-feira 17 de novembro de 2021, inaugurando o ciclo de catequese precisamente no encerramento do Ano Especial dedicado a São José, 150 anos após sua proclamação como patrono da Igreja universal. José, um homem justo e marido de Maria, um homem de silêncio, um migrante perseguido e corajoso, o pai putativo de Jesus e também um carpinteiro, um pai em ternura e um homem que sonha, foram alguns dos temas abordados nos últimos meses pelo Papa quando ele encontrou peregrinos durante as audiências de quarta-feira. No final do ciclo, falamos sobre isto com o Padre Tullio Locatelli, Superior Geral dos Josefinos do Murialdo, especialista em teologia Josefina.

Entrevista

Como vocês acolheram a ideia do Papa de concluir o Ano de São José com um ciclo de catequese, que só recentemente terminou?

Foi uma iniciativa maravilhosa que para nós significava que precisávamos ir além de 2021 e que o Ano de São José estava de alguma forma continuando. Foi uma maneira de nos lembrarmos que mesmo depois do ano dedicado a ele, a reflexão sobre São José, padroeiro da Igreja universal, continua.

Francisco reafirmou que José é o “Guardião da Igreja”.

Assim como São José guardava Maria e Jesus, assim hoje ele nos protege. No sentido de que ele nos ajuda a crescer e nos ajuda a amadurecer. Ele é quem nos protege, mas não para nos distanciar da realidade, mas para nos fazer crescer, para nos fazer abrir para o mundo, para nos preparar para fazer o que o Senhor nos pede. Afinal, José expressou sua capacidade de proteção acima de tudo quando educou Jesus, quando o preparou para fazer a vontade do Pai até o fim.

Qual das catequeses sobre  São José lhe tocou particularmente?

Eu diria a de 19 de janeiro sobre o tema da ternura, que está ligada à primeira homilia proferida pelo Papa Francisco, na Santa Missa para o início do ministério petrino, em 19 de março de 2013. Às vezes temos medo de falar de ternura, na relação entre José, Maria e Jesus. Em vez disso, é um tema que nos leva a compreender o aspecto humano, o aspecto profundo que faz de nós uma família. Um aspecto essencial que realmente toca os cordões do coração, do espírito e da alma.

Uma das catequeses mais intensas foi a de 12 de janeiro passado, dedicada a São José, o “carpinteiro”, que deu ao Papa a oportunidade para fazer um apelo sobre a dignidade dos trabalhadores… Nas catequeses do Papa, São José também era visto como um mestre espiritual: com sua capacidade de silêncio, de ouvir, com sua capacidade de sonhar, de ser um pai à sombra de seu Filho…

Santa Teresa de Ávila disse que São José era um contemplativo. Sempre o imaginamos na sua oficina de carpinteiro, mas ao seu lado devemos lembrar que está Jesus e um pouco mais afastada talvez esteja Maria. Este é o verdadeiro contemplativo de hoje: aquele que nunca perde a convicção de uma presença amorosa que o acompanha. Aquele que está consciente de uma paternidade que nunca o abandona. Na minha opinião, a dimensão mística da vida é viver na presença de Deus, sabendo que Deus está presente para você. Sabendo que Ele é o primeiro a ser “o fiel”. São José, no cotidiano, de certa forma escondido, de Nazaré, vive precisamente uma contemplação contínua: seu estar perto de Maria e de Jesus e junto com eles. Mas, é claro, esta realidade contemplativa, aos olhos das pessoas da época, estava completamente escondida, velada. Talvez por esta razão, no entanto, ela fosse também mais interior e mais profunda e mais ligada à vida, porque se expressava no dia a dia, no ordinário.

Por que o senhor acha que o Papa quis indicar à Igreja a figura de José como um ponto de referência neste momento particular da história?

Porque São José foi aquele que realizou plenamente a vontade do Pai. Ele não foi um herói, ele não foi, por assim dizer, um campeão do “eu”, mas um campeão do “tu”.  Tu me chamas e eu te sigo, tu me acordas à noite e eu levanto. Talvez isto seja o que precisamos hoje. Precisamos abandonar um pouco nossos egos e ser mais capazes de escutar e acolher, e também agir quando o “tu” nos chama. Isto é o que chamamos de “vocação” e podemos chamá-la de muitas maneiras, mas acredito que o tema básico é sair de nosso ego e realmente escutar o outro. Um “tu” que pode ser o “Tu” maiúsculo, que é o Pai, mas é também o “tu” de meu irmão, minha irmã, da pessoa ao meu lado, da pessoa que me pede ajuda. Em minha opinião, é justamente neste momento que José pode nos transmitir sua disponibilidade para se encontrar, para escutar esse “tu” que é Deus e que nos convoca.

Fabio Colagrande – Vatican News

VEJA TAMBÉM