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Palavra do Padre
ALOISIO VIEIRA

MÊS DE abril de 2026
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A lista de Schindler parte II

Você já assistiu o filme ‘A lista de Schindler’, com Lian John Neeson, popularmente conhecido como Lian Neeson. Ele é irlandês, nasceu em Ballymena, no dia 7 de junho de 1952, na Irlanda do Norte, e é ator em Hollywood. Hollywood é um distrito da região central de Los Angeles, Califórnia, USA, situado a noroeste do centro financeiro da cidade. O lugar ficou famoso por concentrar quase todas as grandes indústrias do cinema mundial. Aconselho que assista o filme.

Já falamos neste informativo baseados no filme ‘A lista de Schindler’. Mas, este artigo não tem por objetivo falar de Lian Neeson, muito embora seja ele excelente ator, nem de falar de Hollywood, muito menos falar do filme ‘A lista de Schindler’. Tudo isto é contextual. O que queremos é falar da contradição que Oskar Schindler suscitou, com sua vida, retratada pelo filme, para a sociedade em todos os tempos.

Oskar Schindler é “tcheco” (ou tchecoslovaco), mas um alemão dos Sudetos, nome dado à população de língua e cultura alemã que vivia nas regiões fronteiriças da Tchecoslováquia. Era empresário oportunista, ligado ao Partido Nazista, corrupto, mulherengo e alcoólatra, vivia de contatos, subornos e festas. Usava a guerra como oportunidade de lucro. Quando a Alemanha ocupou a Polônia, ele enxergou o que muitos viram. Mão de obra barata, contratos militares e uma chance de enriquecer rápido. Comprou uma fábrica em Cracóvia e começou a produzir esmaltados para o exército. No começo, os judeus empregados ali não eram um gesto de humanidade. Eram custo baixo. Trabalhavam por quase nada, sob a vigilância brutal das SS. Schindler sabia como agradar oficiais. Álcool, presentes, favores. O sistema funcionava. O dinheiro entrava. A guerra, para ele, era um negócio. Schindler não era um herói de vida ilibada, um exemplo.

Isto faz emergir uma interrogação: o bem não exige perfeição? Exige coragem? Uma pessoa cheia de defeitos pode fazer algo verdadeiramente heroico? O bem exige virtude ou decisão ou ainda decisão de uma pessoa virtuosa?

Mas algo começou a mudar, quando ele começou a ver, de perto, o que significava a ‘solução final’ da Alemanha Nazista. Começou a saltar aos olhos dele as famílias que eram arrancadas de casa, crianças desaparecendo, trabalhadores sumindo do dia para a noite. O que era números, estatísticas, virou rosto, voz, gente. A virada veio quando Oskar Schindler começou a ver os judeus de Cracóvia sendo enviados para campos de extermínio, principalmente Auschwitz, em março de 1943.

A sua fábrica, que antes era apenas um empreendimento lucrativo, tornou-se uma fronteira entre a vida e a morte. Ele salvou cerca de 1.200 judeus. Ele notou que, mantendo os judeus empregados, como trabalhadores essenciais, em sua fábrica, poderia livrá-los da rota dos trens da morte dos nazistas. O dinheiro dele mudou de função. Tudo o que antes era gasto em luxo e corrupção passou a ser usado para subornar oficiais, falsificar registros e manter nomes fora das listas de deportação.

Quando Schindler, por exigência dos nazistas, passou a fabricar munição, ele as fazia defeituosa de propósito, sabotando a própria produção. Cada parafuso errado era um pequeno ato de resistência. Cada suborno, uma vida comprada ao sistema. Verdade, Schindler continuou bebendo, mentindo, manipulando, subornando; mas, agora para salvar, manipulava para proteger, subornava para manter pessoas vivas. Ao final da guerra, estima-se que 1.200 judeus sobreviveram, porque seus nomes estavam na chamada “Lista de Schindler”. Pessoas comuns, costureiras, metalúrgicos, pais, mães, crianças. Todas arrancadas da fila da morte por um homem que nunca foi exemplo de pureza.

Voltemos às questões: o bem não exige perfeição? Exige coragem? Uma pessoa cheia de defeitos pode fazer algo verdadeiramente heroico? O bem exige virtude ou decisão ou ainda decisão de uma pessoa virtuosa? Depois de tudo o que foi dito aqui, podemos concluir que o BEM exige indignação, decisão, coragem e ação de quem se vê diante de tal situação. O heroísmo nem sempre nasce da virtude. Às vezes, nasce da decisão de não ser cúmplice. Oskar Schindler não se tornou herói porque era bom. Tornou-se herói porque, diante do mal absoluto, decidiu não se acomodar.

Meditar sobre isto, nesta quaresma, pode nos levar à conversão que precisamos.

Pe. Aloísio Vieira