Nos dias 21 a 23 de setembro de 2026 às 19:30h foi realizado nas comunidades o estudo comunitário para o mês da Bíblia em todas as comunidades. Este ano o livro refletido foi Daniel sob o lema “Seu Reino jamais será destruído” – Daniel 7,14. A assessoria foi dos membros das comunidades que participaram da formação regional e paroquial.
O Mês da Bíblia nasceu em 1971, na Arquidiocese de Belo Horizonte, idealizado pelo Serviço de Animação Bíblica (SAB) das Irmãs Paulinas. A iniciativa surgiu para celebrar os 50 anos da arquidiocese e foi inspirada pela renovação do Concílio Vaticano II, que pediu maior acesso dos fiéis às Sagradas Escrituras. O mês de setembro foi escolhido por causa do dia de São Jerônimo (30 de setembro), o santo que traduziu a Bíblia para o latim. Posteriormente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assumiu nacionalmente.
Para os cristãos, este mês não é apenas um período de leituras bíblicas devocionais, mas um convite à maturidade na fé, que leva à consciência crítica, ou seja, compreender a Palavra no seu contexto histórico para aplicá-la à realidade atual; que leva à fé amadurecida, ou seja, a superar o fundamentalismo e buscar o sentido profundo que promove a justiça de Deus; nos leva a construção do Reino de Deus, ou seja, a assumir o compromisso social da fé, transformando o Evangelho em ações de amor e inclusão.
Daniel é de resistência nascida em contextos de dominação, tanto o Exílio na Babilônia quanto a posterior opressão dos reis selêucidas. Resistência à assimilação cultural, onde Daniel e seus companheiros se negam a adotar a mentalidade e os costumes pagãos do império opressor que tentavam apagar sua identidade (Dn.1). Desobediência civil legítima, quando as leis humanas exigem a adoração de falsos deuses (como a estátua de ouro em Dn.3) ou proíbem a oração ao Deus verdadeiro (Dn.6), os jovens escolhem desobedecer ao Estado para obedecer a Deus. A queda dos impérios humanos. As visões apocalípticas dos “animais violentos” (Dn.7) revelam que os impérios totalitários da história trazem em si mesmos os germes de sua destruição.
Mas, Daniel também traz a Esperança do Reino de Deus, enquanto os reinos deste mundo governam pelo medo e pela força brutal. “Seu reino jamais será destruído”, o lema de 2026 nos lembra que o Reino de Deus é o único eterno. Ele instaura uma nova lógica onde a palavra final da história não pertence aos tiranos, mas à justiça divina. A figura do “Filho do Homem”, em Daniel 7, representa o povo dos santos e a vitória da humanidade renovada sobre a bestialidade dos impérios opressores. Isso alimenta a esperança ativa dos cristãos que trabalham por um mundo fraterno.
Mas, tudo isto só é possível se formos fiéis à Palavra de Deus. A fidelidade em Daniel não é abstrata; ela se manifesta na coerência cotidiana e nas pequenas decisões: o banquete do rei, no estudo e discernimento: A Palavra de Deus é o farol que permite aos cristãos lerem a realidade atual com criticidade e maturidade.
A Vivência dos Valores da Fé, ou seja, uma fé, encarnada e corajosa, através de atitudes concretas se manifesta na vida pública íntegra. Daniel, mesmo exercendo altas funções administrativas no coração do império pagão, mantém-se incorruptível e fiel aos seus valores. Ele prova que é possível atuar nas estruturas do mundo sem se contaminar por elas. No entanto, esta fé encarnada só é possível com oração persistente, pois a força de Daniel para enfrentar a cova dos leões nascia de sua rotina inegociável de oração (Dn.6,11). A oração é o combustível para a resistência social; sem intimidade com Deus, o cristão sucumbe às pressões da cultura dominante. Só é possível na confiança absoluta em Deus. Diante da fornalha ardente, os três jovens declaram que Deus pode salvá-los, “mas, se não nos salvar”, ainda assim não adorarão os ídolos (Dn.3,17-18). Uma fé madura confia no propósito de Deus acima das conveniências pessoais.
O Livro de Daniel convoca as comunidades a saírem de uma fé passiva para uma presença profética e transformadora na sociedade.
Fotos: Agentes da Pascom
Texto: Apresentação feita pelo pároco Pe. Aloísio Vieira na cartilha do estudo bíblico comunitário