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Palavra do Padre
ALOISIO VIEIRA

MÊS DE outubro de 2026
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A encíclica Summi Pontificatus para a realidade atual

A encíclica Summi Pontificatus, publicada em outubro de 1939, pelo Papa Pio XII, lançada poucas semanas após o início da Segunda Guerra Mundial, analisa as causas da crise global e aponta os erros ideológicos que levaram a humanidade ao conflito. As reflexões do Papa, nesta Encíclica, olhando a realidade que nos cerca hoje, são pertinentes e devem chamar a atenção e, mais que isto, devem levar os cristãos a reverem suas posturas, como resposta de quem tem fé e quer ser sal, luz e fermento na sociedade hodierna.

O Papa Pio XII diagnostica, para aquela época, a crise do esquecimento de Deus. É o que vemos hoje. Ele elenca o agnosticismo religioso, dizendo que a perda de fé em Cristo retirou a base moral da civilização. Ajunto a isto o fato de que muitos são os cristãos, católicos e protestantes, que dizem ter fé, colocam Deus abaixo de seus interesses pessoais. A retirada da base moral da civilização abre caminho para bizarrices inconcebíveis para uma civilização sadia. Elenca o laicismo radical, que é a tentativa de construir a sociedade sem Deus gerando o caos atual, dizia o Papa. Desde aquela época, 1939, este laicismo radical tem espalhado seus tentáculos, revelando suas mazelas também nos dias atuais. O Papa Pio XII, por fim, elenca o relativismo moral, dizendo que as leis humanas sem conexão com a lei divina tornam-se arbitrárias. As exceções viram regras. Casuísmos. Isto gera inversão de valores morais e nivelamento por baixo de toda a civilização.

O Papa Pio XII, na Encíclica Summi Pontificatus, aponta três grandes erros. O primeiro é a Negação da Unidade Humana. Contra isto, o Papa fala da fraternidade universal, onde todos os homens têm a mesma origem divina; do repúdio ao racismo, condenando indiretamente as teorias de superioridade racial do nazismo. Nos dias de hoje é a condenação do racismo, venha de onde vier; da solidariedade mútua, onde a unidade da espécie humana exige amor universal, superando fronteiras. Fronteiras que estabelece qualquer humano como superior a outro.

O segundo grande erro é o totalitarismo e a Idolatria do Estado. Quando o Estado tenta substituir Deus e se torna a autoridade máxima, ele inverte a ordem natural e falha em seu propósito, pois o indivíduo precede o Estado. A sociedade existe para o desenvolvimento do homem, e não o homem para o Estado; a Justiça vem da virtude, pois o Estado não consegue criar uma sociedade justa apenas por meio de leis, decretos ou força. A verdadeira justiça depende de cidadãos guiados pela lei moral divina; a Resistência espiritual: Homens formados moral e espiritualmente fortes são a única barreira eficaz contra a tirania e a corrupção do tecido social. Em resumo, a formação de indivíduos interiormente robustos é a base que sustenta a justiça social, impedindo que a sociedade degenere em um sistema opressor.

O Estado totalitário tenta monopolizar a educação, moldando jovens apenas para fins políticos e ignorando valores morais e a família. O pontífice destaca que a formação deve respeitar a esfera divina e familiar, alerta que a educação sem Deus e sem o direito dos pais prejudica a sociedade, privando-a de ordem e justiça.

O terceiro grande erro é o secularismo Pagão e a Destruição das Relações Internacionais, que ocorre quando os princípios do direito natural e da revelação divina são removidos da diplomacia. Esse distanciamento destrói a confiança internacional e quebra os pactos firmados entre os povos. O Papa aponta que a estabilidade social e a paz duradoura tornam-se impossíveis quando o fundamento da justiça é substituído pela força.

Quem souber entender o que o Papa Pio XII está dizendo e olhar para a nossa realidade com atenção, saberá da urgência do testemunho cristão fiel.

Pe. Aloísio Vieira