De uns tempos para cá o nosso povo foi ficando, gradativamente, avexo à disciplina e à hierarquia; pendendo, cada vez mais, às suas próprias vontades e seus próprios desejos, e não reconhecendo ascendência de nada e nem de ninguém sobre si, a menos que sirvam a seus interesses.
Tal atitude é relevantemente antissocial, uma vez que desfaz a teia social em benefício exclusivo dos desejos e vontades pessoais, relegando tudo à sua volta, sejam pessoas e instituições e organização social, à condição de subjugados e serviçais, com as quais não tem qualquer vínculo de reciprocidade. Tudo existe para servi-la e ela não serve a ninguém. É uma postura egocêntrica.
Mas há situações em que os desejos e vontades de uma pessoa são os mesmos da maioria? Mesmo assim, continua sendo uma postura egocêntrica, pois a pessoa não quer e nem luta para que os desejos e vontades da maioria sejam satisfeitos, mas quer e luta para que somente os seus desejos e vontades sejam satisfeitos. Nenhum relacionamento interpessoal sobrevive saudavelmente a isto.
O relacionamento interpessoal é saudavelmente quando as partes andam ombro-a-ombro, o que acontece no relacionamento é bom para ambas as partes e cada uma faz o que lhe compete. O que uma parte faz, ambas se beneficiam; o que outra parte faz, ambas se beneficiam. É comunhão e não competição, briga.
A hierarquia e a disciplina estão presentes por toda a sociedade, desde a convivência familiar, até as grandes aglomerações humanas. A constituição da vida em sociedade é baseada na hierarquia e na disciplina, nenhuma organização prescinde disto para o seu funcionamento. A hierarquia, entendida como ordenação progressiva de autoridade, é necessária para fixar funções e responsabilidades. A disciplina, entendida como obediência às funções que se desempenha, é fundamental para o desenvolvimento regular das atividades. Em tudo, independentemente do grau de complexidade, existe uma ordenação hierárquica de funções e a necessidade de observância fiel das funções por cada membro, para concretização dos fins que se destina.
No caso da família, existe uma hierarquia na vida do homem e na vida da mulher. Essa hierarquia precisa ser seguida à risca. Este seguimento é sinal da presença de Deus na vida dos dois. Certa vez ouvi um padre explicar que, na vida do esposo, depois de Deus, vem a esposa. E na vida da esposa, depois de Deus, vem o esposo. Depois, na vida da esposa e do esposo, vêm os filhos. Depois, na vida do esposo, vem o trabalho. E da esposa, a casa. Depois, na vida do esposo, vem a casa. E da esposa, o trabalho. Algumas pessoas podem discordar, é prerrogativa delas; mas, vão descobrir mais tarde que estão erradas. Isso não depende de a pessoa concordar ou não concordar.
Quando o marido não sabe ser homem, ele não dá condição para a esposa ser mulher. E quando a esposa não sabe ser mulher, ela não dá condição para o esposo ser homem. Quanto mais masculino o marido for, mais feminina a esposa poderá ser. Quanto mais feminina a esposa for, mais masculino o esposo poderá ser.
Essa hierarquia de trabalho para o esposo e casa para a esposa, e casa para o esposo, trabalho para a esposa, é certíssima; pois o homem gera segurança e a mulher gera harmonia.
A segurança que o homem gera é proteção, provisão e liderança. Tudo isto é fora. A harmonia que a mulher gera é nutrição, educação e harmonia. Tudo isto é dentro. O marido constrói uma casa, mas é a esposa faz um lar.
A mulher e o homem sempre serão diferentes um do outro, não só geneticamente falando. O homem e a mulher foram criados por Deus para serem companheiros: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher.” (Gn.1,27) Desta maneira, dentro do matrimônio e da família, que é o nosso caso aqui, eles devem enriquecer um ao outro, com suas vidas, com seus valores, com suas visões de mundo etc. Não estão numa guerra, para ver quem é o maior; não estão numa competição, pra ver quem subjuga e escraviza o outro. Também não se escolheram porque um é o espelho do outro; mas, porque são diferentes, completam-se.
Pe. Aloísio