A Igreja Católica Apostólica Romana nos ensina que ela é única; mas, em três estados, que se comunicam, sendo a Igreja Triunfante, Igreja Peregrina e Igreja Padecente. Encontramos isto no capítulo VII, número 49, da Constituição Dogmática Lumen Gentium.
A Igreja Triunfante, a Igreja Peregrina e a Igreja Padecente, por formarem uma só Igreja e por se comunicarem, por meio da oração, revelam a comunhão universal que une os vivos e os mortos (a Comunhão dos Santos). A Igreja Peregrina (ou Militante) é formada por todos os fiéis que estão vivos na terra. É chamada de peregrina porque está a caminho da pátria celeste, e de militante porque enfrenta o combate diário contra o pecado e o mal. A Igreja Padecente (ou Purgante) é composta pelas almas que estão no Purgatório; pois precisam passar por uma purificação final antes de entrar no Céu. Nós, na terra, podemos ajudá-las por meio de orações e missas. A Igreja Triunfante é composta por todos os santos e bem-aventurados que já estão no Céu. Eles já alcançaram a vitória eterna, contemplam a Deus face a face e intercedem por nós que ainda estamos na Terra.
O Catecismo da Igreja Católica (CIC) nos explica esse mistério nos parágrafos 954 a 959, sob o artigo dedicado à Comunhão dos Santos. Podemos resumir em três pontos principais: 1. Uma Única Igreja em Três Estados Diferentes (CIC 954), ou seja, o Catecismo enfatiza que não existem três igrejas, mas sim uma única Igreja de Cristo manifestada em realidades diferentes. Deixa claro que, embora o grau e o modo sejam diversos, todos os membros partilham do mesmo amor a Deus e ao próximo e formam um só corpo unido em Cristo. 2. A União Nunca é Interrompida (CIC 955), isto é, a barreira da morte física não separa os cristãos; pelo contrário, o Catecismo ensina que a união entre a Terra e o Céu é reforçada pela comunicação dos bens espirituais. 3. O Fluxo de Intercessão (CIC 956 a 958), ou seja, o Catecismo detalha como esses estados interagem ativamente por meio da oração: a ajuda que vem do Céu (Triunfante), pois os santos, por estarem intimamente unidos a Cristo, não deixam de interceder por nós na terra, a solicitude fraterna que ajuda imensamente a nossa fraqueza terrena; a ajuda que enviamos ao Purgatório (Padecente), no parágrafo 958 a Igreja reconhece explicitamente a prática eclesial de rezar pelos mortos, uma vez que as almas em purificação não podem adquirir méritos para si mesmas, a nossa oração, os nossos sacrifícios e, principalmente, o Santo Sacrifício da Missa, são capazes de sufragar (aliviar e abreviar) as suas penas.
Nós, que estamos na terra, não adoramos os santos, mas praticamos a intercessão, rezamos aos santos e à Virgem Maria pedindo que eles apresentem as nossas intenções a Deus, pois eles estão na presença real de Deus (Igreja Triunfante), as orações deles são puras e têm grande eficácia. Os santos e os anjos não estão isolados em uma felicidade egoísta; o amor deles aumentou no Céu. Eles exercem a mediação fraterna, intercedendo sem cessar por nossas lutas cotidianas, perigos e provações na Terra. Embora a teologia foque muito na nossa ajuda ao Purgatório, os santos no Céu também se alegram e acolhem as almas que terminam sua purificação, além de intercederem para que o tempo de purificação delas seja abreviado. As almas do Purgatório estão salvas, mas sofrem o processo de purificação final e não podem mais adquirir méritos ou rezar por si mesmas. Elas dependem inteiramente de nós e da graça divina.
No fim dos tempos, no Juízo Final, os estados da Terra e do Purgatório deixarão de existir, e restará apenas a Igreja Triunfante, onde Deus será “tudo em todos”.
Este ensinamento da Igreja, baseado na Bíblia, na Tradição e no Magistério, nos tranquiliza diante da morte física, nos mostra que ela não tem a palavra final. São João Paulo nos diz: “A fé e a razão constituem como que as duas asas mediante as quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio.” (Frase de abertura da Encíclica Fides et Ratio de São João Paulo II, 1998) e mais “O Papa Gregório IX (…) não hesita em afirmar que a razão dá o seu apoio à fé, exercendo a sua atividade com os argumentos que lhe são próprios (…). A fé não teme a razão, mas busca-a e confia nela. Assim como a graça supõe a natureza e a aperfeiçoa, também a fé supõe e aperfeiçoa a razão.” (número 42 da Encíclica Fides et Ratio de São João Paulo II, 1998)
Enxergar a morte física somente com os olhos humanos é desesperar-se pela separação e pelo aparente fim da pessoa amada. Enxergar a morte física com os olhos da fé é ter a certeza de que a morte física não tem a palavra final, que a vida não termina aí. Celebrar finados é celebrar a ressurreição e a vida eterna: Jo.11,25-26; Lc.20,35-38; Jo.5, 28-29; Mt.25,31.46; Jo.3, 16; Mc.10,29-30.
Pe. Aloísio Vieira