Comunhão: um ato de amor e força

10 de junho de 2021

Dentre as pessoas que nos cercam, que convivem conosco, com as quais nos relacionamos, existem aquelas às quais recorremos quando precisamos de um ombro amigo para chorar, quando precisamos de um conselho, quando precisamos desabafar; enfim, quando precisamos tirar a carga pesada que carregamos, quando estas se tornam insuportáveis. Estas pessoas também suportam nossas amarguras, nossas insatisfações, nossas raivas, nossos fracassos, nossas derrotas etc. O número destas é pequeno. Não são tantas as pessoas assim.

São pessoas fortes que nos ajudam em momentos difíceis de nossas vidas. São pessoas valiosas, sem as quais talvez não permaneceríamos de pé. Para muitos de nós estas pessoas são o ‘porto seguro’, a ‘âncora’ que nos impede de seguir rumo à auto destruição, a ‘mão amiga’ que nos segura, impedindo que caiamos no abismo.

Valorizar estas pessoas, ou melhor dizendo, reconhecer o quão estas pessoas são importantes, para nós, é fundamental. Elas nos prestam um serviço valioso, são essenciais. Mas, na maioria das vezes, não fazemos isto e, muitos de nós, lá no fundo, acham que estas pessoas estão apenas fazendo o que lhes é de obrigação fazer. São obrigadas a nos suportar.

O lado ruim de ser uma pessoa forte é que ninguém tem lá muito cuidado com você. Afinal, todo mundo já sabe que você aguanta a porrada que for. O problema é que aguentar não é o mesmo que não sentir. Você sente tudo. Só é bom em não se deixar abater.

Certa vez alguém disse que a coragem é apenas uma maneira de esconder o medo. Esconder até de si mesmo. Muito embora o corajoso pareça destemido, um super-herói, ele tem medo como qualquer outro.

As pessoas fortes sentem os impactos da mesma forma que todos sentem. Também sentem amargura, insatisfações, raiva, fracassos, derrotas etc. e encontram outras maneiras de digerir isto, sem despejar nos ombros dos outros e sem se deixar abater.

Não estou aqui para dizer que as pessoas fortes devam deixar de ser fortes, devam deixar de não se abater; mas para dizer que devemos aprender com elas. O agricultor só é agricultor quando tem calos nas mãos. Só podemos dizer que vivemos quando temos cicatrizes na alma e no coração. Só podemos dizer que amadurecemos quando pudermos enumerar, em nossas vidas, as vitórias e as derrotas, os sucessos e os fracassos, as alegrias e as tristezas, que vivemos. Não devemos ter receio de mostrar que sentimos as nossas derrotas, fracassos e tristezas, pois nos deixaram os calos e as cicatrizes que mostram que vivemos e superamos, amadurecemos. Conseguimos nos levantar, superar e seguir vivendo. Que somos pessoas melhores exatamente por causa das cicatrizes e calos que acumulamos ao longo da vida.

Quem vive tirando os calos da mão ou abrindo novamente as cicatrizes, vive como um derrotado, fracassado, com a autoestima lá embaixo. Quem nega ter vivido derrotas ou não as viveu, quem nega seus fracassos ou não os teve, quem nega suas tristezas ou não as viveu, não consegue amadurecer. Cada um sabe a dor e a alegria de ser o que é.

Padre Aloísio Vieira
Pároco

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