A Essência dos Ministérios

6 de setembro de 2018

3º Encontro

Introdução:

A assembleia, unida a Cristo, é o sujeito da ação litúrgica. Ela é servida por ministérios, funções e serviços diversos, que o Espírito concede à Igreja (CNBB, doc. 43, n.56-61). Que fique claro que o ministério é, antes de tudo, um DOM, um carisma, colocado a SERVIÇO da comunidade, com HUMILDADE. Enumeremos, alguns tópicos acerca dos ministérios, o que nos ajudará conhecer e assumir nossa missão de batizados e batizadas.

  • 1. Todo ministério litúrgico se situa dentre de uma celebração cuja finalidade fundamental é memória da morte e ressurreição do Senhor, seja a Eucaristia, os outros sacramentos e sacramentais, seja a celebração dominical da Palavra, o Ofício Divino, as exéquias, etc.
  • 2. A tradição que nos vem das primeiras comunidades testemunha a existência de muitos ministérios: além do que presidia a celebração, havia diáconos, leitores, acólitos, salmistas, porteiros…
  • 3. Os leitores, além do serviço de proclamar a Palavra na liturgia, tinham a tarefa de guardar as sagradas escrituras e de transmitir os ensinamentos da fé num verdadeiro Ministério da Palavra. Aos acólitos cabia dar atenção aos pobres, preparar e servir a mesa, levar comunhão aos que não podiam participar da assembleia, doentes e prisioneiros.
  • 4. Com o processo de clericalização, os ministérios de leitores e acólitos passaram a ser considerados como ordens menores, isto é, como etapas para a ordenação presbiteral. Aos poucos desapareceram os ministérios na Igreja, restando o coral e os/as zeladores/as do espaço celebrativo.
  • 5. O Concílio Vaticano II enfatizou o sacerdócio dos batizados, recuperou a participação dos fiéis na missão da Igreja, consequentemente também na liturgia e nos ministérios litúrgicos. E fez isso por uma razão teológica: expressar a Igreja Povo de Deus, Corpo de Cristo, comunidade ministerial, onde cada pessoa tem uma função a serviço de todos. Assim a Sacrossanctum Concilium afirma que ninguém deve acumular função na liturgia (SC 28) e que “acólitos, leitores, comentadores e cantores exercem um verdadeiro ministério litúrgico”. E recomenda que “desempenhem as suas funções com devoção e ordenadamente, como convém à dignidade do ministério e ao que o povo de Deus deles exige, com todo direito”. Portanto, os ministros leigos e leigas não estão na comunidade para ajudar o padre, muito antes, assumem um ministério próprio. Atuam a partir de seu sacerdócio de batizados e não trabalham por conta própria, mas como representantes de Cristo, animados por seu Espírito. (SC 29).
  • 6. Em 1972, a renovação litúrgica, introduziu de novo o acolitato, juntamente com o leitorado, como um ministério estável, “instituído” por um rito próprio (só para homens). Na prática, esta proposta de “instituir acólitos e leitores” não foi adiante e os serviços que seriam próprios destes dois ministérios, são exercidos (inclusive com respaldo do Direito Canônico), por homens e mulheres de nossas comunidades: “onde a necessidade da Igreja aconselhar, podem também os leigos, na falta de ministros, mesmo não sendo leitores ou acólitos, suprir alguns de seus ofícios, a saber, exercer o ministério da Palavra, presidir as orações litúrgicas, administrar o batismo e distribuir a sagrada comunhão” (cf. cânon 230,3).
  • 7. A propósito dos ministros e ministras da comunhão, o ritual ‘A sagrada comunhão e o culto eucarístico fora da missa’, de 1973, afirma:

“Compete aos acólitos oficialmente instituídos, distribuir, como ministros extraordinários, a sagrada comunhão todas as vezes que não houver presbítero ou diácono ou estiverem impedidos, por doença, idade avançada ou exigências do ministério pastoral, ou ainda quando o número de fiéis que se aproximam da sagrada mesa for tão elevado, que possa ocasionar demora excessiva da missa ou de outra ação litúrgica. O ordinário do lugar pode dar a outros ministros extraordinários a faculdade de distribuir a sagrada comunhão sempre que parecer necessário para o bem espiritual dos fiéis” (cf. n. 17).

Com isso, na prática das nossas comunidades, os ministros e ministras extraordinárias da eucaristia foram bastante valorizados. Igualmente (ou até mais) importantes são os ministros e ministras da Palavra: catequistas, coordenadores de círculos bíblicos, coordenadores da Celebração dominical da Palavra, leitores, salmistas…

Os evangelhos: catecismo dos primeiros cristãos

A existência dos evangelhos já nos prova um ministério fundamental no meio das primeiras comunidades: a catequese. Não fosse assim, a Boa-Nova não chegaria a nós. Antes de ser escrito, foi pregado e ouvido por muitos. Os contemporâneos de Jesus beberam da fonte original, seguiram seus passos, vibraram com suas palavras, aplaudiram-no por certo e, animados com aquelas revelações, levaram adiante a mensagem.

Cristo, cabeça-tronco

Cristo é o condutor de sua Igreja: “Eu sou a cabeça e vocês os membros”. Assim se apresenta o corpo místico da Igreja, tendo Jesus à frente e acima de tudo. Só a fé é capaz de nos inserir nesta realidade e alimentar a vocação ministerial de todos os que se deixarem conduzir por ela.

Jesus nos quer como membros de seu próprio corpo: “Eu sou a videira e meu Pai o agricultor” (Jo 5,1). Uma videira é resistente quando possui troncos sadios, com raízes em solo fértil. Cristo nos mostra com simplicidade a necessidade de estarmos unidos a Ele, nosso tronco.

Como Jesus, os discípulos falaram

A formação passa pela prática. Os anunciadores do Reino foram devidamente formados pelo próprio Cristo, antes de serem enviados “para toda cidade e lugar onde ele próprio devia ir” (Lc 10,0). São setenta e dois discípulos, enviados “dois a dois”. É o primeiro grupo de animação missionária da fé cristã que passa pela prova de fogo: “Estou enviando vocês como cordeiros para o meio de lobos” (Lc 10,3).

A formação ministerial deveria seguir este modelo, passar pelo envio de Jesus. Eles voltaram muito felizes (Lc 10,017) pela descoberta. A mesma que se experimenta quando é percebida a vocação, não como escolha pessoal, mas como chamado. Um serviço ordenado por Jesus que confia a sua tarefa, delegando poderes que eram seus. Quem percebe o privilégio de tamanha responsabilidade deve demonstrar também muita alegria.

Apóstolos, ministros da Palavra

A primeira grande missão apostólica, logo após a escolha dos doze, foi o envio às terras pagãs: “Vão e anunciem: o Reino do céu está próximo” (Mt 10,7). Porém, o anúncio da Palavra não pode ser considerado exclusivamente sacerdotal, pois todos os batizados participam do sacerdócio de Cristo. Em Mateus, Jesus envia os doze apóstolos, revestidos de uma maior responsabilidade com a pregação, revestidos da autoridade de Cristo.

Lucas valoriza o envio dos setenta e dois discípulos, incluindo aí muitos ouvintes de Jesus animados com sua doutrina: “O discípulo não está acima do mestre nem o servo acima nem o servo acima do seu senhor” (Mt 10,24). É dever de todo cristão comprometer-se com a Palavra de Deus, mas é necessário frequentar a escola de Jesus: ouvir, assimilar, sentir, comprovar a eficácia de seus ensinamentos.

Amar Como Jesus Amou
Padre Zezinho
Amar como Jesus amou
Sonhar como Jesus sonhou
Pensar como Jesus pensou
Viver como Jesus viveu
Sentir o que Jesus sentia
Sorrir como Jesus sorria
E ao chegar ao fim do dia
Eu sei que dormiria muito mais feliz

Dimensões do ministério de Jesus

São três as dimensões do ministério de Jesus: sacerdotal, profética e régia. Jesus assume os dois primeiros para sublinhar o caráter de sua missão, tarefa sagrada. No ministério régio se insere o povo de Deus, governado como povo eleito, escolhido para restaurar o Reino definitivo.

É um poder de glória do qual participamos quando a ação pastoral se volta para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Todo cristão reveste-se desses três ministérios. Está deve ser a sua identidade, o caráter evangelizador de todo batizado, que realiza no mundo um serviço de construção da dignidade humana e o restabelecimento da unidade com Deus.

Jesus e as mulheres

A função ministerial não é exclusivamente masculina. Os evangelhos estão permeados de preciosas passagens sobre a participação feminina no processo da redenção, a começar por Maria, através da qual foi possível o ministério de Cristo, começando com o seu sim “Faça-se em mim segundo a tua vontade” (Lc 1,38). Eis a disponibilidade dos servos. Alguns exemplos: a cura da sogra de Pedro, a mulher que sofre de hemorragia, a menina que levantou dos mortos, a mulher Cananéia, a mulher que se joga aos pés de Jesus , a mulher que toca Jesus implorando a cura.

Marta e Maria tornam-se um exemplo de ministério feminino. Marta recebeu Jesus em sua casa e Maria, sua irmã, fez as honras, sentando-se aos pés para ouvi-lo em seus sentimentos. Maria escolhe a melhor parte e esta não lhe será tirada (Lc 10, 38-42). Mais adiante vemos as duas irmãs decepcionadas com a morte do irmão Lázaro (Jo 11, 4-44), mas Jesus restaura a vida e devolve a felicidade àqueles que são amados por ele. Através da morte e do sofrimento de uma perda, podemos também servir o Senhor.

Jesus e a samaritana (Jo 4, 6-30) é outro episódio que ilustra bem a participação da mulher. A partir desse encontro, a mulher parte e presta um ministério, anunciando a presença de Cristo no mundo.

Reencontramos as mulheres ao pé da cruz (Jo 19,25), como também na dolorosa via-sacra (Lc 23,49) e na ida ao sepulcro (Lc 23,55). Em Lucas 24, 8-10 encontramos as anunciadoras de um novo tempo, as ministras da boa-nova da ressurreição. Importante é também o anúncio de Maria Madalena aos discípulos: “Eu vi o Senhor” (Jo 20, 16-18).

Poder e serviço

Toda e qualquer autoridade exerce um ministério. Mas, para Jesus, não existe poder senão pelo serviço (Lc 22, 25-26). Ele ensina como alguém que tem autoridade e não como os doutores da lei (Mt 7, 28-19).

O ministério autêntico possui autoridade porque exercido em nome de Jesus. Porém, é necessário que esse poder seja exercido com humildade. Nem o próprio Jesus revelou com que autoridade ele fazia as coisas (Lc 20,17). Quem assume seu batismo tem autoridade para anunciar um novo reino, e inclusive dominar espíritos maus (Lc 4,36).

De Saulo a Paulo, o missionário

Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Deseja a prisão de todos os homens e mulheres que professavam a fé cristã. É importante refletir como Saulo, ou melhor, Paulo, assume seu ministério evangelizador, após sua conversão. Esta se dá após uma queda, uma manifestação de Jesus e algum tempo de cegueira, jejum absoluto, muita oração e reflexão. De perseguidor, Paulo torna-se perseguido,

A preocupação de Paulo não era somente com os irmãos convertidos, mas também com todos, aos quais o Messias fora enviado. Sempre com esta preocupação: “Como podemos acreditar se não ouviram falar dele? Alguém precisa anunciá-lo” “Como são belos os pés que anunciam boas notícias” (Rm 10. 14-15)

A grande preocupação de Paulo era despertar mais pessoas para anunciar ao mundo a salvação na pessoa de Jesus: a formação de novos ministros é evidente em todas as suas cartas e, por fim, Paulo se declara “ministro de Jesus Cristo” e sua missão é anunciar o e Evangelho de Deus.

A unidade, um ministério

A comunidade de Corinto era muito rica, sendo de escravos a maioria dos seus habitantes. Existia gente de diversas raças e religiões à procura de uma vida fácil e luxuosa. O grande problema social era viver à moda de Corinto. Ali havia sido criada uma comunidade Cristã, formada pela classe mais pobre da população. Em meio às influências do paganismo, surgem as primeiras divisões: “Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cefas”.

Paulo informado, desse problema, apressa-se em escrever, iniciando o assunto desta forma: “Será que Cristo está dividido? Será que Paulo foi crucificado em favor de vocês?” Percebe-se certa ironia por parte de Paulo, ponto de partida para uma verdadeira tese de unidade em Cristo: “De fato, se entre vós há invejas e brigas, não será pelo fato de serem guiados por instintos egoístas e se comportarem como qualquer um?” (1 Cor 3,3)

Os ministros do povo não estão acima da doutrina que ensinam. Quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servidores, através dos quais foram levados a fé. Os ministros devem servir ao Senhor “Cada um conforme o dom que o Senhor lhe concedeu”, realizando um ministério de unidade em torno de um único objetivo, pois a diversidade de serviços visa o crescimento de todos.

Assim, Paulo traça o perfil dos ministros da igreja que constroem a unidade do povo. “Nós trabalhamos juntos na obra de Deus, mas o campo e a construção de Deus são vocês” (1 Cor 3. 5-9).

A comunidade faz o (a) ministro (a)

Todo ministério surge de uma necessidade comunitária. A partir dela e por ela é que existem os ministérios. Na segunda carta aos coríntios, Paulo retoma o assunto, pelo fato de que muitos questionavam e pressionavam a origem do seu ministério apostólico. Com seu ministério, a comunidade crescia, permitia uma experiência viva dos evangelhos, apesar dos conflitos frequentes dentro da vida comunitária.

Com as bênçãos da comunidade, o ministro conduz suas ações de forma radiante, deixando até mesmo transfigurar-se à maneira de Cristo.

O renascimento dos ministérios

O documento Lúmen Gentium

O sacerdócio ministerial forma o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico e oferece a Deus em nome de todo o povo. Os fiéis, em virtude do seu sacerdócio, concorrem na oblação da Eucaristia e o exercem na recepção dos sacramentos, na oração e na ação de graças, no testemunho de uma vida santa e na caridade ativa. É estabelecido o vínculo sacerdotal presente em todos os batizados: leigos e presbíteros exercem, um único ministério, com um sacerdócio comum, oriundo de Cristo.

Comum é a dignidade dos membros pela regeneração em Cristo, comum a graça de filhos, comum a vocação à santidade. “Se, pois, na Igreja nem todos seguem o mesmo caminho, todos, no entanto, são chamados à santidade .” (LG 80). A unidade é fundamental, porém não impede a diversidade de carismas e serviços (1 Cor 12. 4-5).

O apostolado dos leigos

O Decreto Conciliar referente aos leigos (Apostolicam Actuositatem) nos diz: “Sinal dessa múltipla e urgente necessidade é a ação manifesta do Espírito Santo, tornando os leigos hoje mis e mais conscientes da própria responsabilidade e estimulando-os para se colocarem a serviço de Cristo e da Igreja “(AA 1333).

Abre-se espaço para a maior participação do leigo na Igreja, justificando o florescimento dos ministérios. Os leigos realizam um verdadeiro apostolado quando se dedicam à causa da evangelização, santificando os homens e mulheres, animando e aperfeiçoando a ordem temporal como espírito do evangelho.

O ministério missionário

O documento conciliar Ad Gentes está mais diretamente ligado à obra evangelizadora da Igreja, tendo como pano de fundo a atividade missionária, “razão de ser” de todo e qualquer ministério. A Igreja, enviada por deus às nações para ser o sacramento universal de salvação, esforça-se por anunciar o evangelho a todos os povos e a todos os homens e mulheres. O ministério missionário é semente da expansão do Reino.

Uma das características da atividade missionária é a fundação de novas comunidades, pois é necessário que om evangelho atinja a todos. Toda autoridade missionária vem de Deus, da mesma forma que a autoridade de Cristo. Por isso, deve estar preparado a dedicar a vida à sua vocação, a renunciar a si e a tudo que até então considerou seu e a se fazer tudo para todos.

Alegrias e esperanças

A Constituição Pastoral Gudium et Spes apresenta as diretrizes pastorais para a ação ministerial da igreja. A mensagem central é que Igreja reconhece que a história da humanidade se constrói com a participação de todos. Ao povo de Deus compete o testemunho da coerência evangélica, por meio da função ministerial da Igreja.

Enviada pelo Espirito Santo, pretende continuar a obra do próprio Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e não para condenar, para servir e não para ser servido. Alegrem-se os cristãos, porque podem desempenhar todas as suas atividades terrenas com generosidade sempre mais eficaz.

O mandato

A Encíclica Redemptoris Missio de João Paulo II reveste-se de grande importância ao dizer: A evangelização é o primeiro serviço que a Igreja deve prestar a humanidade. O Senhor chama-nos a saímos de nós próprios e a partilhar os bens, sobretudo à fé. O ministério catequético deve ser o primeiro a assumir a dimensão missionária, pois os catequistas são testemunhas diretas. Vida ministerial e vida missionária não se separam.

Os ministérios na Igreja

“O Espírito do Senhor está sobre mim. Ele me consagrou e me enviou para evangelizar os pobres, libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor”. (Lc 4,18-19).

Na Igreja há duas características de ministérios: os ministérios ordenados e os ministérios não ordenados. Os ministros ordenados se referem às pessoas que receberam o Sacramento da Ordem, ou seja, os diáconos, os padres e os bispos.

Os ministros não ordenados são os inúmeros leigos e leigas que assumem a missão na Igreja: catequistas, coordenadores de Comunidades e pastorais, ministros da Eucaristia e da Palavra, etc. As religiosas (irmãs) fazem parte dos ministros não ordenados, e como consagradas, fazem um bem imenso á Igreja.

Tanto para os ministros ordenados, mas também os religiosos (as) e leigos, a nossa referência é a pessoa de Jesus. Todos somos consagrados pelo Batismo e a Crisma para uma Missão, que é a Missão de Jesus confiada a nós.

Esta pequena reflexão vem falar dos ministérios dos leigos, os ministros não ordenados. Trata-se de um reconhecimento, mas também de alguns pontos orientativos, como a seguir:

  • Os leigos assumem a missão na Igreja por serem vocacionados a trabalharem na Igreja. Trabalhar na Igreja é um direito e um dever dados a todos pelo Batismo e pela Crisma, ou seja, não somente aos padres (ministros ordenados). Pelo Batismo, todos são ministros, missionários, pessoas atuantes na Igreja, na caminhada pastoral, mas também nos movimentos de luta, nas organizações populares. A missão começa na Igreja e se estende ao mundo.
  • É bom destacar que os ministérios vão tomando forma e corpo no decorrer da caminhada. Na história dos ministérios na Igreja, não havia separação entre ministros ordenados e não ordenados. Havia um espírito de colaboração entre muitos cristãos, pessoas do povo, que deram a vida pelo Reino: presbíteros, diáconos, catequistas. O objetivo: ser presença de Deus no meio do povo, vendo isto como graça de Deus e não um privilégio.
  • Organizar os ministérios dos leigos na Igreja é uma oportunidade para superar uma atitude de pensar que somente o padre é quem deve fazer tudo. A Igreja é ministerial, com padres e leigos. Ao mesmo tempo, vamos descobrindo que caminhamos juntos; descobre-se que na Igreja, ninguém é perfeito. Todos estão a caminho.
  • O ministro é pessoa comum da Comunidade. É alguém como os demais e que está para ajudar a Comunidade. Não é nem mais e nem menos que ninguém. Um ministério não é mais importante do que o outro. Todos os ministérios são importantes. O ministério é um serviço. “Somos administradores das coisas de Deus”, conforme nos fala São Paulo. E é no serviço que as pessoas crescem.

Nas nossas Comunidades, bem como na caminhada de nossa Diocese, há um incentivo ao trabalho do leigo. É louvável a presença dos leigos – homens e mulheres, nos vários trabalhos pastorais: coordenadores de pastorais, catequistas, missionários, ministros e animadores da liturgia. Há muitos leigos que estão nos movimentos sociais. Fala-se de uma Igreja ministerial. Organizando bem os ministérios entre nós, a Comunidade tem de tudo para crescer, se animar no trabalho e isto é um ganho grande para a Comunidade e para as pessoas. Cabe a cada Comunidade e à Paróquia como um todo dar apoio e incentivo ao trabalho das pessoas que são indicadas para assumirem algum ministério. É a Igreja sendo uma IGREJA MINISTERIAL E PARTICIPATIVA, onde todos podem assumir a sua missão como comunidade de batizados.

Missão e ministério dos cristãos leigos e leigas

Este é o título do documento 62 da CNBB. Não devemos entender o ministério como atividade exercida somente na Igreja, dentro dela ou nas atividades relacionadas às pequenas comunidades de práticas cristãs. Missão e ministério se fundem principalmente quando os leigos e leigas agem como fermento na massa.

A missão evangelizadora da Igreja é realizada por todo o povo de Deus, com sua variedade de vocações e ministérios.

Todas as dimensões estão em Cristo

Pela prática sincera, cresçamos em todos os sentidos naquele que é a cabeça: Cristo (Ef 4.5). A partir desta orientação de São Paulo, vemos que os ministérios da igreja surgiram a partir do ministério de Cristo. Analisemos essas dimensões:

Dimensão Comunitária e participativa

É a dimensão que revela a natureza intima da Igreja, a sua identidade básica. A Igreja é convocada para ser comunhão de todos e cada um de seus membros no ministério da comunhão trinitária. Incorporados a Cristo, todos se tornam filhos de Deus, pelo Espírito Santo, e irmãos para viverem entre si uma profunda comunhão fraterna.

Dimensão missionária

A comunhão exige a missão como seu dinamismo essencial. A Igreja que se percebe como comunidade de fé é impelida, naturalmente a continuar a missão de Jesus que a convocou, constituiu e enviou. Ela é chamada a assumir ativamente, em todos os seus membros, a mesma missão de Cristo, proclamando o Reino de Deus e testemunhando o Evangelho em todo tempo e lugar, em todas as épocas e nações, reconhecendo a riqueza evangélica das diferentes culturas.

Dimensão Bíblico-catequética

Fonte de vivência comunitária e da missão da Igreja é a Palavra de Deus, que se expressou plenamente na pregação e na existência de Jesus Cristo e se encontra na Bíblia e na Tradição. Ela suscita a fé que reúne os membros da Igreja e os integra no Corpo de cristo.

Dimensão litúrgica

Essa dimensão expressa a Igreja como comunidade sacerdotal, organicamente estruturada pelos sacramentos, nos quais celebra os mistérios da fé. Na liturgia , especialmente na Eucaristia, celebra-se a realidade fundamental da Páscoa: morte e ressurreição de Jesus Cristo; morte e ressurreição do batizado em Cristo. Na ação litúrgica, devem encontrar espaço todas as realidades da vida cotidiana do cristão.

Dimensão ecumênica e de diálogo inter-religioso

O testemunho missionário da Igreja procede de sua tendência dinâmica a ser, ao mesmo tempo, una e católica. Só assim ela pode constituir-se na terra o germe e o início do Reino de Cristo e de Deus, Reino único e universal. Por outro lado, o principal motivo de credibilidade de seu testemunho é a unidade dos seus membros.

Dimensão sócio transformadora

A Igreja está presente no mundo, no meio das sociedades humanas, por esta presença ela deve agir como fermento na massa, contribuindo para que estas sociedades humanas se organizem em conformidade com os valores e exigências do reino de Deus.

Solidarizando-se com as aspirações e esperanças da humanidade, é levada pela “fonte e sede de justiça” a colocar-se a serviço da causa dos direitos e da promoção da pessoa humana, especialmente dos mais pobres, denunciando as injustiças e violências, para que possa surgir uma sociedade verdadeiramente justa e solidária.

TRABALHO EM GRUPO:

  • Ler o evangelho de João 13, 1-17.
  • Qual a relação do texto bíblico com o ministério que estamos assumindo?
  • Quais os serviços (ministérios) litúrgicos existentes em nossa paróquia/ comunidade? A maneira como tem sido realizado é satisfatória? O que pode melhorar e por quê?
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