Setembro de 2021

15 de setembro de 2021

Estive pensando um pouco sobre qual é a vontade de Deus, expressa na Bíblia, na tradição e no Magistério da Igreja. Neste mês da Bíblia, qual a ideia pura e original de Deus? Sabemos que, no Antigo Testamento ou Primeiro Testamento, Deus nos falou por meio dos Profetas e da Lei. Não teriam, os profetas e os legisladores, filtrado ou personalizado a Mensagem? Porque boa parte das pessoas e dos estudiosos, de hoje, valorizam muito mais a Profecia do que a Lei, quando falam ou se inspiram no Antigo Testamento? A “Boa Nova”, contida no Novo ou Segundo Testamento, não seria apenas a versão personalizada de quem redigiu o texto?

Individualizamos ou personalizamos todas as coisas e todas as ideias quando trazemos para o nosso modo de ver/sentir e/ou quando expomos aos outros. Então, costumamos dizer que é a nossa verdade, nossa maneira de ver as coisas. Mas, isto não quer dizer que a maneira dos outros verem/sentirem está errada. Podem ser apenas maneiras diferentes. Classificar a maneira dos outros como errada e/ou combatê-las é considerar a nossa, e das daqueles que são semelhante à nossa, como a única certa e/ou válida. Daí para o extremismo é um pulo.

A primeira providencia que devemos tomar é ter sempre em mente que aquilo que nos chega é sempre uma versão da realidade, pois partiu de uma pessoa ou grupo que personalizou/apreendeu as coisas e as ideias.

A segunda providência é ter postura crítica, o mais imparcial possível, para tentar chegar mais próximo da originalidade das ideias e das coisas. Perguntar: qual a tendência da pessoa ou grupo de onde nos veio aquilo? O que é daquela pessoa ou grupo, nisto que nos trouxe?

Mas, toda vista não é a vista de um ponto? Mesmo a ideia original, não é apenas o ponto de vista de alguém, aquele que primeiro a expos? E, por isto, também personalizada? Com certeza sim. Então não há ideia original, impessoal?

A solução para este impasse é considerar a ideia e o mensageiro como originais e puros. Desta maneira, tanto a Mensagem quanto os Profetas e Legisladores, no Antigo Testamento, são dignos de fé. A Mensagem, da forma como os mensageiros nos transmitiram, é pura e original. Da mesma forma no Novo Testamento, tanto a forma como Jesus nos transmitiu a “Boa Nova” quanto a maneira como os evangelistas e os outros escritores a colocaram no papel são puras e originais. Não dá pra dizer que esta é a maneira do evangelista dizer, mas a verdade do Evangelho é diferente.

Então devemos concluir que tanto a Mensagem quanto a maneira que os mensageiros nos transmitiram, nas Sagradas Escrituras, são igualmente dignos de fé. O que faz das Sagradas Escrituras, como um todo único, SAGRADAS.

Tudo bem; mas, e nós que, hoje, a retransmitimos? Devemos buscar esta originalidade e pureza tanto quanto pudermos. É aqui que a letra da música de Pe. Zezinho nos pode ajudar muito: “Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria (…)”. É fundamental estar em comunhão com Deus para entendermos o ‘espírito da lei’. São Paulo já nos dizia: “Não que sejamos capazes por nós mesmos de ter algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus. Ele é que nos fez aptos para ser ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica.” (2Cor.3,5-6) É nosso amor a Deus que valida nosso amor aos irmãos; é nossa comunhão com Deus que autentica nossa ação evangelizadora.

Reflita sobre isto em seu coração e tire as suas próprias conclusões.

FacebookWhatsAppTwitter

Veja também